Texto por Invista como uma garota

Se você chegou nesse texto e está em um blog dentro do site de uma corretora, provavelmente algum interesse em cuidar das suas finanças você tem, certo?

Normalmente, quando a gente começa a entrar em contato com esse tipo de conteúdo, seja por um artigo, um vídeo no YouTube ou até mesmo entre as amigas, parece que temos um mundo de decisões a serem tomadas, conteúdos pra aprender, e o que acontece? A gente paralisa. Deixa pra depois. Espera juntar mais dinheiro. Espera cair aquele bônus. Estudar mais um pouco pra conseguir fazer o melhor investimento possível.

Nós somos muito boas em postergar decisões e essa é uma facilmente postergada. O dinheiro já tá em algum lugar. Vamos ter que abrir conta na corretora. Mandar uma TED. Escolher um investimento. E se o dinheiro sumir? E se eu perder o que consegui até agora? E se eu não escolher o melhor investimento? Melhor ficar onde estou. Dois grandes vieses comportamentais estão em ação: o da aversão à perda e a inércia.

Você sabia que uma perda de R$ 100 versus um ganho de R$ 100 dói 2,5 vezes e meia mais? Faz sentido não querermos mudar o nosso dinheiro de lugar – e falando em mudança, a gente prefere o que é conhecido, o status quo. Continuarmos fazendo o que a gente já faz é muito mais fácil que mudar e nosso cérebro prefere esse conforto. Tudo isso acontece de forma inconsciente, são atalhos mentais que nosso cérebro toma pra não termos que escolher racionalmente tudo o tempo todo e economizarmos energia. Mas precisamos mudar, certo? Queremos investir melhor. Queremos cuidar melhor do nosso dinheiro. Então o que fazer?

Continuaremos tendo a sensação de que uma perda é muito pior que um ganho de mesmo tamanho, mas quem disse que precisamos começar com todo o nosso dinheiro? Não precisamos! Existem investimentos extremamente seguros em que você pode começar a partir de R$ 30. Podemos falar para o nosso cérebro que estamos fazendo um teste: é o dinheiro de um almoço.

Fazer uma transferência, escolher um investimento, acompanhar por um tempinho, ver que ele não sumiu – e aí sim colocar mais dinheiro. Quando nos sentirmos confortáveis. Quando não for mais um mundo completamente desconhecido.

É como entrar em uma piscina, podemos sentir como está a temperatura da água, entrar até a cintura e depois mergulhar. Sim, sempre existirão pessoas que vão pular de cabeça. Mas o importante é entrar na água, e cada um tem seu ritmo. E falando de como os outros se comportam, por que não aproveitarmos um outro viés comportamental? O que os outros fazem influencia muito no que a gente faz.

Se você já tem uma amiga que ultrapassou a barreira dos receios e dos medos, chama ela pra conversar. Chama ela pra te mostrar o que ela tem feito e se for preciso, chama ela pra abrir a conta na corretora com você, chama ela pra mandar o dinheiro junto com você. Às vezes a gente só precisa de uma pessoa conhecida perto da gente nesse mundo novo. E ainda bem que temos cada vez mais e mais investidoras pra nos ajudarmos.

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Conheça o projeto parceiro do Nós, Mulheres Investidoras:

Vic Giroto e Aninha Baraldi começaram o Invista como uma garota em julho de 2018, um projeto que aproxima mulheres no começo da carreira de diálogos informais e sem tabu sobre dinheiro, investimentos, orçamento pessoal e questões da mulher no mercado de trabalho. Apaixonadas por educação financeira e economia comportamental, encontraram assim uma forma contribuir ativamente com a causa feminista: a liberdade da mulher passa pela autonomia financeira.