Texto por Sergio Goldman

 

Não há absolutamente nada de errado em montar uma carteira de ações com foco em boas pagadoras de dividendos.

Entretanto, tenha em mente que, uma das principais características de estratégias vencedoras no mercado de ações é a diversificação.

Portanto, colocar todos os ovos na estratégia de dividendos me parece inadequado.

Com isso em mente, vale entender o que significa uma empresa ser boa pagadora de dividendos.

Um dos principais conceitos no mundo das finanças é o de alocação de capital.

A grosso modo, a alocação de capital é um processo que, considerando a expectativa de desembolsos que a empresa terá no curto, médio e longo prazo, a administração irá decidir o que fazer com o resultado gerado naquele ano, com o volume de recursos no caixa, à disposição para ser utilizado, e também se será necessário buscar novos recursos no mercado, seja através de financiamento ou através de lançamento de novas ações.

De forma simplificada, uma boa pagadora de dividendos é uma empresa cuja decisão de alocação de capital permite que ela distribua para os acionistas, a maior parte dos recursos gerados em um dado exercício.

Em geral, boas pagadoras de dividendos são empresas maduras, em setores maduros, com oportunidades de crescimento limitadas.

Uma vez mais repito: não há nada de errado em se posicionar em empresas com essas características.

Particularmente, ao considerar montar uma carteira de ações na Bolsa Brasileira, eu buscaria primeiramente empresas que tivessem boas perspectivas de crescimento e, portanto, onde os recursos gerados fossem melhor aplicados quando reinvestidos no negócio.

Vale lembrar que o retorno total que um investidor tem ao investir em uma ação tem 2 componentes.

O primeiro componente é o retorno dos dividendos, calculado pela divisão do dividendo por ação pago no período de análise pelo preço de compra da ação investida.

O segundo componente é o que chamamos de apreciação do capital que é basicamente a diferença do preço de compra e o de venda, sendo esse último ajustado pelos pagamentos de dividendos feitos durante o período investido.

De forma geral, no mercado Brasileiro, o segundo componente, é o mais relevante para que o investidor tenha um retorno adequado que mais que compense o risco de se investir em ativos de renda variável.

Ações de empresas cujo retorno sobre dividendo esteja na casa dos 7% ao ano são consideradas boas pagadoras de dividendos.

A pergunta de deixo para vocês é: você estaria satisfeito em ter apenas esse nível retorno ao comprar uma ação?

No meu caso, a resposta seria não; eu gostaria de ver o segundo componente explicado acima contribuindo com algo como pelo menos 7%-8% para o retorno total do meu investimento em uma ação.

Portanto, antes de finalizar, gostaria de deixar com vocês duas reflexões:

  • Investir em boas pagadoras de dividendo pode ser uma excelente opção se a empresa em questão tiver oportunidades de crescimento que gerem expectativas positivas para a obtenção de apreciação de capital e,
  • O histórico de pagamento de bons dividendos não é garantia de que no futuro os dividendos distribuídos continuarão atraentes.

    Sergio Goldman

    Com quase 20 anos de experiência no mercado de ações, Sergio é especialista em análise de investimentos e precificação. Também é colunista do Valor Econômico desde 2013 e mentor do Inovativa, programa de aceleração de startups, desde 2014.