Texto por Invista como uma garota

Quando descobrimos que esse livro realmente existia, não acreditamos. Era bom demais pra ser verdade, parecia um sinal. O Invista como uma garota já estava na rua havia alguns meses e esse livro caiu como uma luva. Ele é super alinhado à nossa forma de enxergar o mundo dos investimentos e é sobre isso que viemos falar hoje. Não vamos resumir o livro inteiro aqui – ele realmente vale muito a leitura para qualquer pessoa minimamente interessada em investir por conta própria. Vamos falar sobre três aspectos comportamentais explorados no livro que são bastante comuns nas nossas rotinas e afetam a vida de todos nós – homens e mulheres:

 

Aviso número 1: Algumas das diferenças esbarram em conceitos biológicos, mas a maioria tem muito mais a ver com a construção social e cultural do arquétipo da mulher na sociedade. E é sempre bom lembrar de duas coisas: se algo foi moldado, ensinado, pode ser “desmoldado” (apesar de não ser nada fácil, a gente sabe). E sim, existem muitas vantagens e fortalezas nas características que muitas vezes são rotuladas “femininas” (seja lá o que isso signifique).

Aviso número 2: Esse livro baseia-se em um trabalho de 6 anos pesquisando 35 mil  investidoras e investidores americanos (e, principalmente, o comportamento deles ao longo da crise de 2008).

Aviso número 3: Esse livro foi publicado com o consentimento de Warren Buffett, não se preocupem (na verdade a foto dele está até na capa!).

Aviso número 4: Nós não gostamos de estereótipos tanto quanto você, mas eles existem por uma razão: existem padrões que, na média, costumam se repetir entre grupos (quaisquer que sejam). As razões pelas quais eles existem, essas sim essas sim nós questionamos e lutamos pra desconstruir, mas não vamos negar a realidade. Vamos observá-la e aprender com ela.

 

1) Mulheres, na média, dedicam mais tempo a estudar e conhecer os investimentos que pretendem fazer e buscam mais pontos de vista que desafiem suas concepções já formadas.

Quem nunca se sentiu insegura ao tomar uma decisão de investimento (ou de algum projeto no trabalho) por pensar “será que eu estou considerando todas as informações disponíveis? O que será que eu não estou vendo?” que atire a primeira pedra. Quem nunca pensou “puts… Eu tenho síndrome de impostora”. Ou “preciso ser melhor para atender a essa expectativa”. “Preciso estudar mais” e etc etc. Sim, nós sabemos que todo mundo já sentiu isso, seja homem ou mulher, mas existem algumas razões históricas e culturais para as mulheres costumarem duvidar demais de si mesmas (dissemos demais porque acreditamos que uma pequena dose de auto-questionamento é extremamente saudável, o problema é quando passa do ponto). E se você tiver interesse em pesquisar sobre isso, sugerimos começar pela palavra gaslighting no google.

Voltando ao ponto, esse hábito de buscarmos mais informação, de estarmos mais dispostas a ouvir ideias contrárias às nossas, de não confiarmos cegamente no próprio taco sem algum embasamento, é um enorme aliado das mulheres na hora de investir. Então aqui, a lição que queremos passar é: o auto-questionamento é uma vantagem! Só precisamos ficar atentas para que essa dose seja saudável.

 

 

2) Mulheres não são tão suscetíveis à pressão do grupo e comportamento de manada como homens, o que resulta num estilo de investimento mais paciente e centrado – e, pasmem, uma das razões disso é o fato de nós termos menos testosterona que eles.

Que os homens costumam ser confiantes até demais a gente já sabia (não estamos brincando, não! Existem muitos estudos que mostram, por exemplo, que os homens negociam salário com muito mais facilidade que as mulheres e tendem a aplicar para vagas de trabalho sem sentirem a obrigação de cumprir todos os requisitos como a maioria de nós faz), mas que isso seria um dia provado empiricamente no mercado financeiro e que isso é, na verdade, uma desvantagem, foi novidade. Uma das frases mais famosas de Warren Buffett é “seja ambicioso quando todos estiverem com medo, e tenha medo quando todos estiverem ambiciosos”. Em outras palavras, é o famoso ‘não venda na baixa, não compre na alta’ – o que pede uma grande dose de autocontrole para não ceder ao comportamento de manada. Mais um ponto positivo para a biologia da mulher: menos testosterona, menos tentação de fazer o que todos os outros estão fazendo no momento de pânico ou de empolgação. A gente amou isso!

 

3) E para as amantes de mercado financeiro, uma curiosidade que tem muito a nos ensinar: Homens tendem a “tradar” 45% a mais que mulheres e não tem rentabilidade que aguente o custo disso.

Um dos motivos pelos quais o estudo apresentado no livro diz que fundos geridos por mulheres costumam ter retornos mais altos é justamente o fato de que homens costumam fazer muito mais movimentações nas suas posições. Sim, isso tem bastante a ver com o que falamos ali em cima, mas aqui nosso ponto é diferente: às vezes sentimos que, para investirmos bem, precisamos fazer muitas movimentações. Precisamos estar sempre fazendo uma jogada genial. Precisamos estar sempre nos esforçando – quando, na verdade, se a sua estratégia é sólida, é diversificada, muitas vezes o melhor que você pode fazer é não fazer nada (outra pessoa que fala muito disso e é nosso ídolo é o planejador financeiro americano Carl Richards! Os livros dele são igualmente recomendados!). Outro ponto para a paciência, calma e nada de comportamento de manada.

Para fechar, queremos deixar uma frase do livro que nos marcou muito: “Sua habilidade de escolher Ações e investir em empresas com alto potencial de lucro no longo prazo é quase nula. E ainda assim, o que realmente define Buffett, o que o tornou a lenda que ele é hoje, o que o separa de todos os outros investidores ao longo de tantos anos, é o seu temperamento formidável. […] Sucesso nos investimentos não é correlacionado ao seu QI depois de um certo ponto mínimo. A partir do momento que você tem o mínimo de inteligência, o que você precisa é de um temperamento que te proteja de cometer os erros que fazem milhões de pessoas perderem dinheiro investindo“.

 

Ele investe como uma garota, e você? Vamos juntas?

 

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Conheça o projeto parceiro do Nós, Mulheres Investidoras:

Vic Giroto e Aninha Baraldi começaram o Invista como uma garota em julho de 2018, um projeto que aproxima mulheres no começo da carreira de diálogos informais e sem tabu sobre dinheiro, investimentos, orçamento pessoal e questões da mulher no mercado de trabalho. Apaixonadas por educação financeira e economia comportamental, encontraram assim uma forma contribuir ativamente com a causa feminista: a liberdade da mulher passa pela autonomia financeira.