Texto por Invista como uma garota

Nós, do Invista como uma garota, não gostamos de verdades absolutas, nem de fórmulas prontas e conselhos padronizados. Cada uma de nós tem o seu contexto, as suas responsabilidades, a sua história e o seu tempo pra aprender e fazer as coisas. Apesar disso, sabemos que alguns poucos conceitos fundamentais são incontestáveis, e é sobre um deles que queremos falar hoje.

O conceito de “viver um degrau abaixo”.

É curioso como muitas coisas em finanças pessoais parecem óbvias. Engraçado porque são tão óbvias, tão simples, e, ao mesmo tempo, praticadas por tão poucas pessoas. Simples não é sinônimo de fácil, não é mesmo? E essa é a beleza da psicologia econômica: entender os comportamentos não óbvios e aparentemente não racionais das pessoas. Temos um cérebro extremamente desenvolvido, mas nem o mais racional dos seres humanos pode fugir de uma coisa chamada emoção. Somos animais emocionais e temos racionalidade limitada. E é por isso que é importante batermos nessa tecla, mesmo que nos pareça óbvia: essa obviedade muda a sua vida, acredite.

Você já deve ter parado pra pensar que se você ganha um salário de R$ 2000 e gasta R$ 2000 ao longo do mês, você não consegue investir nem um centavo. Se gastar mais do que ganha, então, nem se fala. E se esse pensamento ainda não tinha vindo até você, essa é a sua hora de brilhar! Se você quiser atingir qualquer objetivo na vida, fazer qualquer viagem, realizar qualquer sonho, fazer qualquer curso, ter um filho, um patrimônio – o que quer que seja -, você precisa viver com menos dinheiro do que você ganha. E é isso o que chamamos de viver um degrau abaixo.

Uma grande dica pra conseguir fazer isso é tirando o dinheiro do seu alcance logo que ele cai na conta. Nosso cérebro se adapta às quantidades que são limitadas a ele. É por isso que tendemos a ficar satisfeitas com menos comida quando colocamos porções menores no prato ou quando comemos em pratos menores, por exemplo. Quando temos menos dinheiro na conta, nosso cérebro se ajusta pra gastar menos. Estamos dizendo isso porque esperar sobrar dinheiro no fim do mês pra depois investir o que sobrou não funciona, e você provavelmente já sabe disso! É como se todo mês mandássemos uma mensagem pro nosso cérebro dizendo: “seu salário é R$ 1500 e não R$ 2000” e aí nos adaptamos.

Quanto mais cedo você começar a fazer isso, mais você vai se agradecer no futuro, tenha certeza disso! Defina uma porcentagem da sua renda que você vai tirar da conta corrente pra investir e fingir que esse dinheiro não existe. Em pouquíssimo tempo você vai se acostumar a viver com esse degrau abaixo e, muitas vezes, nem vai sentir falta da parte que você separou.

E definir uma porcentagem é melhor do que definir um valor específico. Vamos te dizer o porquê. Se você definir um valor, e por algum motivo você receber menos dinheiro em algum mês ou seu salário baixar em um novo trabalho, por exemplo, isso pode parecer um motivo pra não investir ou pra investir bem menos. Se você definiu que sempre vai investir 30% da sua renda, por exemplo, então isso pode ser 30% de R$ 10.000 ou de R$ 2.000. Seu padrão de vida todo, na verdade, precisa ser pensado dessa forma. Um aluguel de R$ 4000 pode ser caro ou barato, isso depende de qual é a porcentagem da sua renda que fica comprometida por ele. Tenha um padrão de vida que se encaixe em proporções compatíveis com a sua renda, sempre separando uma fatia dela pra investir antes de qualquer coisa.

E, agora, o segredo dessa receita toda: pratique o ato de não se importar com o que os outros vão falar. Isso é absolutamente libertador. Se você decidiu que viver um degrau abaixo significa comer marmita três vezes por semana, dane-se o que vão falar. Se significa morar em um apartamento menor ou em um bairro menos badalado, dane-se o que vão falar. Se você decidiu parar de comprar roupa de marca, diminuir o ritmo das viagens, usar mais o transporte público, não importa: dane-se. O dinheiro é seu, as regras são suas e, o melhor: quem vai colher os frutos disso é você. Esse é um dos maiores (se não o maior!) gesto de carinho e autocuidado que você pode ter consigo mesma.

 

_

Conheça o projeto parceiro do Nós, Mulheres Investidoras:

Vic Giroto e Aninha Baraldi começaram o Invista como uma garota em julho de 2018, um projeto que aproxima mulheres no começo da carreira de diálogos informais e sem tabu sobre dinheiro, investimentos, orçamento pessoal e questões da mulher no mercado de trabalho. Apaixonadas por educação financeira e economia comportamental, encontraram assim uma forma contribuir ativamente com a causa feminista: a liberdade da mulher passa pela autonomia financeira.