Nos últimos tempos, o tema investimentos no exterior tem ficado cada vez mais popular entre os brasileiros. Muito se fala sobre as vantagens desse tipo de aplicação e sobre a diversificação que os ativos internacionais proporcionam. Mas investir no mercado internacional também envolve burocracias e custos e acaba não sendo uma tarefa fácil para a maioria de nós. Então, qual a alternativa? BDR.

 

Esse ativo não é novo no mercado financeiro. Antes, ele era restrito a investidores qualificados, ou seja, que têm mais de R$ 1 milhão em aplicações financeiras. Porém, novas regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) permitiram que investidores pessoa física, que não têm todo esse dinheiro, invistam nas categorias de BDRs Não Patrocinados e Patrocinados de Nível 1.

 

Assim, os brasileiros agora têm acesso às ações das maiores empresas do mundo, como Facebook, Google, Apple e Netflix por exemplo. Atualmente existem cerca de 600 BDRs na B3, a Bolsa de Valores brasileira, e esse número vai ser ampliado.

 

Além dos BDRs de ações, o investidor pessoa física pode aplicar em BDRs de ETFs, que são fundos de índice negociados globalmente, além de BDRs de dívida.

 

Neste post, você vai conferir o que é BDR e como esse ativo funciona e vai descobrir como investir em ações internacionais por meio desses recibos.

 

Boa leitura!

 

O que é BDR

 

BDRs é a sigla para Brazilian Depositary Receipts. Em outras palavras, esses ativos financeiros são recibos de ações de empresas estrangeiras negociados na Bolsa aqui do Brasil. Na prática, é um jeito simples de investir no exterior, em empresas como Facebook, Google, Apple, Netflix, Disney e muitas outras.

 

Com os BDRs também dá para investir em companhias brasileiras, mas que decidiram abrir capital em outros países, como a Stone e PagSeguro por exemplo.

 

Mas atenção: os BDRs não são investimentos no exterior. Eles apenas acompanham a variação das empresas estrangeiras. É por isso que, ao investir em um BDR, você não vai se tornar sócio da empresa estrangeira, como acontece quando compra uma ação aqui no Brasil. Isso acontece porque os BDRs representam ações de empresas, mas não são as empresas em si.

 

No entanto, as ações realmente existem lá fora e precisam ficar depositadas e bloqueadas em uma instituição financeira que atua como custodiante. Para explicar melhor, ela faz a guarda das ações. Vamos explicar mais sobre isso adiante.

 

 

Tipos de BDR

 

Existem dois tipos de BDRs no mercado: os Patrocinados e os Não Patrocinados. Eles são classificados assim de acordo com a forma como são trazidos para a negociação. Conheça mais sobre cada um deles abaixo:

 

Patrocinado

 

Os BDRs Patrocinados são aqueles em que a companhia de fora do país, por exemplo a Apple ou o Google, quer que as ações dela sejam negociadas aqui no Brasil. Para isso, ela deve solicitar a uma instituição depositária a sua intenção de ter seus ativos negociados no país.

 

Assim, essa empresa estrangeira deve contratar no Brasil uma instituição depositária que ficará responsável por emitir e negociar os BDRs. Assim sendo, as instituições depositárias podem emitir ou cancelar os BDRs Patrocinados conforme a demanda dos investidores locais.

 

Os BDRs Patrocinados são subdivididos em três níveis: I, II e III. Essa repartição acontece de acordo com o tipo de distribuição permitido para cada um. Outro motivo é o volume de informações que devem ser oferecidas aos investidores sobre as empresas emissoras.

 

Nível I

 

Os BDRs Patrocinados de Nível I não precisam de registro da CVM. Em geral, esse tipo de operação costuma ser mais simples e menos burocrática mas, até recentemente, era bastante restrita. 

 

A regra da CVM dizia que os BDRs Patrocinados de Nível I só poderiam ser acessados por instituições financeiras, fundos de investimento, administradores de carteira e consultores de valores mobiliários autorizados pela própria CVM (em relação a seus recursos próprios), empregados da empresa patrocinadora e mais alguns poucos.

 

Agora essa ordem mudou. Qualquer investidor pode adquirir BDRs Nível 1 com lastros negociados em mercados reconhecidos como Brasil, Europa ou Estados Unidos. 

 

A flexibilização da regra aprovada pela CVM ainda prevê espaço para que companhias com atividade econômica majoritariamente no Brasil, mas que tenham capital aberto fora do país, possam também negociar seus papéis aqui, por meio da emissão desses certificados.

 

Níveis II e III

 

Já os BDRs Patrocinados de Nível II e III são bem parecidos. Ambos precisam de registro da CVM para a negociação em Bolsa, o que não acontece com o Nível I. O que difere um do outro é que o BDR patrocinado nível III tem a hipótese de distribuição pública simultânea no exterior e no Brasil.

 

Os BDRs nível II e III podem ser negociados por quaisquer investidores.

 

Não Patrocinados

 

No caso dos BDRs Não Patrocinados, a empresa estrangeira não participa da emissão do recibo aqui no país. É a instituição depositária que tem interesse em oferecer essas ações no país. Por isso, ela vai lá fora, abre uma conta em uma instituição custodiante para comprar as ações e oferece aqui no mercado brasileiro em forma de BDR. 

 

Lembrando que essas ações ficam depositadas e bloqueadas na instituição custodiante e servem de garantia pros BDRs.

 

No Brasil, os BDRs são, predominantemente, Não Patrocinados. E, assim como acontece com os BDRs Patrocinados Nível I, qualquer investidor pode aplicar nos recibos Não Patrocinados.

 

BDR paga dividendos?

 

Os BDRs são um espelho das ações lá de fora. Por isso, caso os ativos correspondentes paguem dividendos, o investidor aqui no Brasil também receberá esse rendimento, já convertido para o real. Depois que o dinheiro é pago aos investidores no exterior, a instituição depositária tem um prazo para efetuar o crédito em conta para o investidor de BDR no Brasil. Esse prazo pode chegar a até 5 dias corridos. 

 

A instituição depositária recebe um percentual dos dividendos distribuídos. Recentemente a CVM reduziu essa taxa de 4% para 3% sobre o valor líquido. Além disso, o recebimento de dividendos é tributado de acordo com a tabela progressiva do Imposto de Renda (0% até 27,5%), sendo o investidor o responsável pelo recolhimento até o último dia útil do mês subsequente através do Carnê Leão.

 

Quanto custa investir em BDR

 

Isso vai variar muito mas os preços começam em cerca de R$ 50. Recentemente, a B3 anunciou que reduziu a quantidade mínima dos lotes padrões que o investidor poderá comprar em BDRs e ETFs (fundos de índices) de renda variável. A mudança foi estabelecida para 28 de setembro de 2020.

 

Com isso, a quantidade mínima negociada de BDRs Não Patrocinados Nível I, ETFs de renda variável e as Opções sobre ETFs de renda variável passarão de 10 para 1 unidade. Além disso, os BDRs Patrocinados Nível II ou III passarão de 100 unidades para 1 unidade.

 

O diretor de Relacionamentos com Clientes da B3, Felipe Paiva, afirmou que essa mudança já era uma demanda do mercado financeiro. Ele também disse que reduzir o lote “cria melhores condições de acesso aos investidores pessoas físicas a ações internacionais e, consequentemente, dos investidores institucionais”.

 

Investir em BDR vale a pena?

 

Você pode se perguntar por que você iria querer investir em empresas do exterior comprando BDRs? Existem vários motivos para isso. A princípio, o BDR é uma forma de você diversificar os seus investimentos aplicando no mercado internacional, só que de um jeito bem mais simples.

 

Esses ativos permitem que o investidor tenha acesso a ações de setores que eventualmente não têm representantes brasileiros listados na B3. Definitivamente as empresas de tecnologia são um grande exemplo disso. E aí podemos citar startups conhecidas como Facebook, Netflix, Google, Twitter e Amazon. Elas não são negociadas na Bolsa brasileira, mas podem ser acessadas por meio de BDRs.

 

Sem falar que você vai pode fazer isso sem precisar abrir uma conta em outro país nem enviar remessas de dinheiro lá para fora. Também podemos destacar o acesso a empresas de setores mais tradicionais e que fazem parte do nosso dia a dia.

 

Já pensou em investir em companhias como Mastercard? Ou quem sabe MCDonald’s? Talvez a pasta de dente que você usa, a Colgate? Todas essas empresas tem BDRs negociadas na B3. 

 

Outra vantagem é a redução da burocracia. Quando você abre conta em uma corretora estrangeira, muitas vezes é preciso lidar com as dificuldades no envio de dinheiro para fora, que também implica em variações de câmbio,  bem como os riscos de um mercado pouco conhecido.

 

Além disso, não vai precisar ler vários documentos em outra idioma. Todas as operações de BDRs são realizadas aqui no Brasil e em reais. Isso também vai deixar a operação mais barata. Você não vai precisar pagar os custos do câmbio, ou seja, o Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros (IOF) e por exemplo tarifas que são cobradas na conversão da moeda, e que costuma ser mais alto para pequenos valores.

 

 

Quem emite o BDR?

 

O processo de emissão das BDRs envolve sempre duas instituições.

 

A primeira é a Instituição Custodiante. Ela fica lá no país de origem da ação, por exemplo os Estados Unidos, e a sua função é comprar as ações na Bolsa desse país para que elas sirvam de garantia dos BDRs aqui no Brasil. 

 

A outra parte desse processo é a Instituição Depositária, ou seja, a companhia emissora. Essa fica aqui no Brasi. Ela é a responsável por fazer a emissão e o cancelamento desses investimentos junto a B3.

 

BDR de ETFs

 

Além das ações, a chegada dos BDRs abre a possibilidade de investir em ETFs. Essa é a sigla para Exchange Traded Fund. Em outras palavras, eles são são fundos que acompanham índices de bolsas, como o norte-americano S&P 500. Esse índice reúne as 500 ações mais negociadas nas Bolsas de Nova York bem como a de Nasdaq.

 

Com os BDRs, será possível acessar os ETFs negociados nas bolsas de outros países. Nesse caso, os BDRs serão como um espelho do desempenho dos ETFs que eles representam.

 

Da mesma forma, os BDRs também podem ser lastreados em títulos de dívida negociados lá fora.

 

Riscos e pontos de atenção

 

Como as ações em geral, os BDR são tivo de renda variável, ou seja, possuem mais riscos. Portanto, eles também pode sofrer alterações de preços em função de várias condições do mercado. E ainda existe a variação cambial. 

 

Isso quer dizer que se o preço do dólar cair e o real aumentar, o rendimento do BDR também cairá junto ao dólar. Mas se o se o dólar aumentar o real cair, a rentabilidade do seu investimento sobe.

 

Por isso na hora de escolher um BDR vale as mesmas regras das ações. Faça uma análise das empresas, verifique o histórico dessas companhias, a liquidez, os custos das operações. Existe um índice de BDR Não Patrocinado, chamado BDR X, que ajuda o investidor a acompanhar o desempenho médio destes ativos na Bolsa.

 

Por fim, não se esqueça de conferir se o investimento se encaixa no seu perfil de investidor. 

 

Liquidez no mercado de BDR

 

A liquidez dos BDRs é menor hoje em dia. Mas com a liberação desses ativos para o público em geral, o mercado deve se ajustar. Além disso, todos os BDRs contam com Formadores de Mercado. Eles são instituições financeiras cadastradas na B3 mantém as ofertas de compra e venda de forma regular durante as negociações.

 

Tributação e Imposto de Renda em BDR

 

Outra vantagem dos BDRs é que a declaração no Imposto de Renda é muito parecida com a de ações. Como falamos acima, você não paga IOF. A tributação do IR é de:

 

  • 15% para os lucros das operações de Swing Trade
  • 20% para os lucros das operações de Day Trade

 

Diferente das Ações no Brasil, os BDRs não contam com isenção do Imposto de Renda em casos de venda em até R$ 20 mil ao mês.

 

Já a taxa de corretagem é de R$ 2,49. Além disso, existem taxas cobradas pela B3 e os emolumentos (taxas cobradas pela B3 pelas transações realizadas no mercado). Você pode conferir todas aqui.

 

Código de negociação

 

Os BDRs são negociados na Bolsa de Valores com o final do código de negociação (ticker) 34.

 

Como investir em BDR

 

Para investir em BDRs, basta ter uma conta na Easynvest. E você poderá fazer isso com a mesma facilidade de investir em ações aqui no Brasil.

 

Inclusive, é possível aplicar em BDRs sem precisar encarar todos aqueles gráficos e códigos, em uma experiência simples para quem está dando os primeiros passos na renda variável. Para isso, é só acessar o nosso app ou portal, clicar em BDR, selecionar a empresa desejada e realizar a compra em poucos cliques.

 

Se desejar, a operação também poderá ser realizada pelo home broker e outras plataformas profissionais disponíveis. Você poderá investir a partir de 1 BDR.

 

Na Easynvest, você conta com várias playlists que vão te ajudar a escolher o melhor BDR para investir. Sabe aquelas playlists de séries e filmes da Netflix? Ou seja, aqui a lógica é a mesma, porém com BDRs.

 

Uma das playlists é BDRs Top Ações Estrangeiras, uma lista com as principais companhia do mercado selecionadas pelos analistas da Easynvest. 

 

Mensalmente, nossos analistas avaliam a performance dos BDRs mais negociados e dão uma nota sobre o desempenho. Você também encontra listas divididas por setor, por exemplo as as gigantes da tecnologia. 

 

Em todas elas você clicar para saber informações sobre cada BDR. Assim, é só clicar para para visualizar detalhes como preço, histórico de rentabilidade bem como as características da empresa.

 

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