Texto por Invista como uma garota

 

Independência financeira é uma expressão que pode gerar as mais diversas reações. Parece que é aquele monte de dinheiro infinito pra pararmos de trabalhar. Ou que é algo inalcançável, difícil demais. Pode parecer uma expressão sem um significado específico, intangível, algo com o qual muitas de nós sonhamos, mas que parece um horizonte um pouco embaçado. Bom, hoje vamos trazer essa expressão pro presente e pra um plano mais tangível e concreto.

Ser independente financeiramente, pra sermos sinceras, pode significar coisas um pouco diferentes pra cada uma de nós. Vamos falar sobre cálculos, montantes e até diferentes investimentos mais pra frente, em outro momento. Hoje, vamos falar de como dar os primeiros passos nessa trajetória rumo à independência financeira, porque ela tem muitos. E eles começam com mudanças que parecem pequenas mas são a fundação da sua vida — e prosperidade — financeira. 

Nós, do Invista como uma garota, acreditamos que estes 6 passos são um belo de um começo de trajetória pra você conquistar sua independência financeira:

(Ah, e estão nessa ordem por um motivo!)

  • Autoconhecimento:

A base de uma vida financeira saudável é a gente se conhecer e tomar decisões estratégicas com base nesse autoconhecimento. E isso não é um “destino” ao qual nós chegamos, é parte da trajetória também. Nunca vamos sentir realmente que “ahhh, agora aprendi tudo sobre mim, ufa!”. O ponto é justamente estarmos sempre atentas e buscando aprender, mesmo porque nós vamos mudar muito ao longo da vida. É uma “pesquisa interna” infinita. Então já fica a primeira dica aqui: Investir tempo e atenção nesses questionamentos frequentemente. Mesmo.

Bom… Conhecer o que? Conhecer o que é prioridade pra gente, quais são nossas “fraquezas financeiras”, quais coisas realmente nos fazem felizes, de que tipo de coisas estamos dispostas a abrir mão, o que é realmente essencial, quais objetivos nos movem, que métodos de pagamento facilitam ou dificultam nossa vida, e por aí vai. Essas perguntas são bons pontos de partida pra entendermos como a gente funciona em relação ao uso do nosso dinheiro. Tem gente que revisita essas questões todo mês, a cada x meses, perto da virada do ano, perto do aniversário… Você que manda! 

E pra ajudar nesse processo, nós temos um exercício muito legal (mesmo!) pra você fazer de lição de casa por aí. Em um momento calmo, sozinha, tomando uma bebida que você goste, ou fazendo sua máscara no rosto, ou com seu incenso (etc…), faça o exercício do seu gráfico da felicidade. A gente duvida que você não vá gostar ou aprender várias coisas sobre si mesma.

  • Objetivos:

Depois de conversar consigo mesma sobre as questões do ponto anterior, vem o momento de colocar objetivos no papel. Isso tem um poder enorme. Todas nós temos sonhos e queremos conquistar coisas: viajar, comprar algo, mudar de casa, estudar, etc — e pra gente transformar esses sonhos em objetivos, a gente tem que trazê-los pra realidade e deixá-los concretos, com preço, prazo, estratégia, motivo por trás. Precisamos entender quando queremos alcançar cada coisa, quanto elas custam, como vamos poupar pra chegarmos na independência financeira. Com isso em mãos, conseguimos traçar objetivos concretos  ao invés de sonhos, que são vagos. Qual sonho vamos transformar em objetivo? Quanto ele custa? Quando queremos que ele se torne realidade? Pega lá seu caderninho e mãos à obra, hehe.

  • Renda e gastos:

Parece uma reflexão óbvia, mas ela não é e precisa ser feita. Um passo muito importante para a independência financeira é entender o quanto entra e o quanto se gasta para conseguirmos viver um degrau abaixo e, assim, pouparmos. Só um lembrete antes de continuarmos: viver um degrau abaixo é um mantra de vida! Significa vivermos com menos do que ganhamos.

Bom, aqui, trazemos um exercício de percepção versus realidade: coloquem em um papel o quanto vocês acham que gastam em cada categoria (as categorias que fizerem sentido pra vocês, não gostamos muito de modelos prontos pra todo mundo) e depois comparem com os gastos reais dessas categorias nos dois últimos meses. Faltou considerar alguma coisa? A realidade condiz com o que foi esperado? O que você aprendeu? Sua estimativa foi boa ou viajou na maionese? O que isso diz sobre a sua intimidade com as suas finanças nesse momento?

A gente sabe que esse exercício pode ser um pouco chatinho mas ele é tão, tão importante! É um momento em que muitas fichas caem, e elas são essenciais pra conseguirmos fechar as torneirinhas de dinheiro que estão atrapalhando nossas finanças e nossa vida. Depois desse exercício, anote quais coisas você aprendeu e o que você ficou com vontade de mudar.

  • Rever serviços financeiros

Falando em torneirinhas de dinheiro. Os serviços financeiros são uma clássica. Na mesma linha do ponto anterior sobre entendermos o quanto entra e o quanto sai das nossas contas bancárias, precisamos revisitar os serviços financeiros pelos quais nós pagamos e checar se estão fazendo sentido. 

Conta no banco: quanto você paga pelo seu pacote? Quais serviços você realmente usa? TED? Saque? Transferência dentro do banco? 

Cartão de crédito: Quantos cartões você tem? Qual o limite total em todos eles? Faz sentido com sua renda e seus gastos? Quanto custa a anuidade? Você usa os benefícios da anuidade? 

Dívidas: Nem sempre ter uma dívida significa que algo está errado, mas é importante entendermos quais dívidas temos, quanto elas “comem” da nossa renda todos os meses, quando elas acabam, quanto elas custam (qual é a taxa de juros ao mês), pra assim entendermos se é preciso alterarmos alguma coisa nelas.

E, por último, investimentos: Onde estão os seus? Quanto eles custam? Quando você pode resgatá-los sem ter perda? Estão só no banco? Já estão em corretora?

  • Dívidas:

Você sabe a diferença entre uma dívida cara e uma barata? O que faz uma dívida ser cara ou barata é a taxa de juros dela, que é o que determina qual vai ser a velocidade do crescimento dessa bola de neve. Entendendo quanto as suas dívidas custam, você terá informação em mãos pra decidir se faz sentido trocá-las por uma mais barata! 

Hoje, a taxa de juros do cheque especial é de mais ou menos 8% ao mês, ou 150% ao ano, por exemplo. Se sua conta ficar R$ 1000 negativa na conta corrente, esse valor se transforma em R$ 2500 em um ano. A expressão “trocar uma dívida cara por uma barata” é justamente pegar um empréstimo com taxas muito menores pra quitar uma dívida que tem juros abusivos, como essa que a gente falou. Assim você ganha fôlego e desacelera essa bola de neve, e assim pode pagar suas dívidas mais rápido gastando menos dinheiro.

  • Orçamento:

Finalmente! Desenhar um orçamento não é simplesmente determinar metas para cada tipo de categoria de gastos e deixar que tudo se resolva magicamente a partir daí. Existem várias metodologias e regras prontas de como desenhar um orçamento, mas já temos que avisar de antemão, possivelmente não vai ser a primeira planilha, a primeira metodologia que você escolher que vai funcionar perfeitamente pra você. Então, comece com uma, experimente e com o passar do tempo vá adaptando com o que faz sentido para você. 

Uma muito famosa é a do 50-30-20, em que você separa 50% da sua renda para gastos essenciais, 30% da sua renda para gastos variáveis e 20% da sua renda para investimentos ou pagamento de dívidas. Se você procurar na internet, verá que existem variações em cima dela. O mais importante é que ela faça sentido com a sua rotina e os seus objetivos. Esse é só um ponto de partida pra você ir ajustando essas porcentagens e categorias de acordo com a sua realidade. Nós não seguimos essa divisão nos nossos planejamentos, por exemplo. E isso foi o resultado de anos de aprendizado e também de mudanças dos nossos gastos, rendas e prioridades.

A vida é fluida e nosso orçamento precisa ser também.

Como vocês já devem saber, dois dos valores do Invista é de que uma planilha não resolve tudo sozinha e que não existem fórmulas mágicas para a independência financeira. Fazer o nosso orçamento envolve não só bastante autoconhecimento pra conseguirmos nos planejar de acordo com as nossas prioridades, mas principalmente, envolve os nossos hábitos. O que realmente faz a diferença é colocarmos o orçamento em prática! Como vamos organizar o dinheiro, que meios de pagamento nos ajudam mais, que hábitos estão envolvidos em cumprirmos os valores que a gente quer gastar com cada coisa. Esse é o pulo do gato. Entender como cada categoria se conecta com seus hábitos, quais deles você quer mudar. Quais meios de pagamento facilitam ou atrapalham sua vida (seja na forma de se organizar ou na facilidade de gastar).

Viu por que começamos com o autoconhecimento? 😉

Conheça o projeto parceiro do Nós, Mulheres Investidoras:

Logo do projeto Invista como uma garota

Invista como uma garota – Vic Giroto e Aninha Baraldi começaram o Invista como uma garota em julho de 2018, um projeto que aproxima mulheres no começo da carreira de diálogos informais e sem tabu sobre dinheiro, investimentos, orçamento pessoal e questões da mulher no mercado de trabalho. Apaixonadas por educação financeira e economia comportamental, encontraram assim uma forma contribuir ativamente com a causa feminista: a liberdade da mulher passa pela autonomia financeira.