Depois de seis anos, a taxa básica de juros do Brasil, a Selic, voltou a subir. O início do movimento de alta pegou alguns investidores de surpresa. Mais uma vez, surgiu no mercado financeiro discussões sobre os investimentos que irão render mais com a alta da Selic. Mas afinal, mesmo com esse aumento, ainda vale a pena investir em Renda Fixa?

O debate é válido. Os brasileiros estavam acostumados com retornos gordos nesse tipo de aplicação sem correr praticamente nenhum risco. Lá em 2015, a taxa Selic era de 14% ao ano. Isso garantia uma rentabilidade real, ou seja, acima da inflação, considerável.

Hoje, depois de dois reajustes do Banco Central, a taxa Selic está em 3,50% ao ano.

Mas, apesar de não render o mesmo que antes, a Renda Fixa continua tendo um papel importante no mundo dos investimentos. Ela deve ser considerada principalmente por quem é iniciante, em primeiro lugar para construção da reserva de emergência. Depois, vem a segurança que esse investimento garante.

Neste post, vamos falar da importância da Renda Fixa e explicar por que ela deve estar na sua carteira de investimentos.

  • O que é Renda Fixa
  • Por que a taxa Selic voltou a subir?
  • Por que a Renda Fixa ainda é tão importante
  • É ideal para Reserva de Emergência
  • Fique de olho no ganho real
  • Imposto de Renda
  • Como ficam os investimentos de Renda Fixa com a alta da Selic?
  • Afinal, ainda vale a pena investir em Renda Fixa?

O que é Renda Fixa

Os investidores que procuram segurança e rendimentos mais estáveis encontram isso na Renda Fixa. É o primeiro tipo de investimento que você deve fazer caso não tenha nenhuma reserva de emergência, por exemplo.

Para resumir, essa é uma modalidade de investimentos na qual o investidor tem uma garantia de retorno sobre o valor aplicado no momento do vencimento. Ou seja, é um tipo de aplicação onde há certeza de retorno. 

Em outras palavras, quando você faz um investimento de Renda Fixa, você empresta dinheiro para as instituições financeiras que emitem o título. Em troca, recebe uma taxa de rentabilidade, e esse valor é acrescido de juros.

Essa remuneração pode ser prefixada, pós-fixada ou até englobar as duas modalidades.

Por que a taxa Selic voltou a subir?

A pressão inflacionária e alta do dólar são os principais motivos para a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de subir a taxa básica de juros. A última vez que a Selic havia subido foi em julho de 2015, quando a taxa saltou de 13,75% para 14,25% ao ano. Desde então, o movimento foi de queda livre ou estagnação até agosto de 2020, quando permaneceu no patamar de 2% ao ano. Agora, foi ajustada para 2,75%.

A taxa Selic é usada pelo Banco Central para controlar a inflação. Assim, quando a Selic sobe, os juros cobrados nos financiamentos, empréstimos e cartões de crédito ficam mais altos. Isso desestimula o consumo e favorece a queda da inflação. 

Em contrapartida, quando a taxa Selic cai, tomar dinheiro emprestado fica mais barato, já que os juros cobrados nessas operações ficam menores. E isso estimula o consumo. 

Da mesma forma, a alta da taxa Selic também impacta o câmbio. Em outras palavras, ela interfere no valor do real frente às moedas estrangeiras. No longo prazo, a tendência é que o aumento dos juros favoreça a valorização do real perante o dólar.

Renda Fixa

Por que a Renda Fixa ainda é tão importante

Apesar de não render tanto como nos últimos anos, a Renda Fixa sempre será uma opção para os investidores conservadores. Estamos falando aqui de quem não quer se expor aos riscos, por exemplo, do mercado de Renda Variável, como as Ações. 

Ela pode ser usada para proteger o patrimônio da inflação (lembre-se da rentabilidade real que falamos acima). 

Vários títulos de Renda Fixa também trazem mais segurança por terem garantia do FGC, o Fundo Garantidor de Créditos. Caso a instituição financeira que emitiu o título quebre, o FGC garante que o investidor recupere até R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira.

As chances desse tipo de problema acontecer são pequenas, mas a  proteção é sempre bem-vinda.

A Renda Fixa pode ser uma alternativa para pessoas que pensam no longo prazo, com investimentos para a aposentadoria, em especial os títulos públicos.  Mas o cenário de taxa de juros baixos exige cautela na hora de investir, ainda que o investidor decida ficar apenas na Renda Fixa. 

Existe uma grande diversidade de aplicações no mundo da Renda Fixa. Portanto, a dica é avaliar o seu perfil de investidor e objetivo, bem como analisar o produto financeiro antes de colocar o seu dinheiro.

Confira mais dicas aqui:

É ideal para Reserva de Emergência

Antes de mais nada, é preciso reservar uma parcela da sua carteira de investimentos para a chamada reserva de emergência. É o dinheiro que você precisa ter disponível a qualquer momento. E nada melhor do que usar investimentos de Renda Fixa para isso.

A reserva de emergência é uma quantia que deve ser mantida para cobrir despesas imprevistas.

Digamos que a geladeira de sua casa parou de funcionar e não tem mais conserto. Ter uma quantia guardada para fins como este é fundamental. Você também pode usar esse valor caso perca o seu emprego, por exemplo. Ou tenha uma despesa extra com o carro, bem como uma doença na família. Enfim, são muitas possibilidades.

Especialistas recomendam que você tenha o valor equivalente a entre quatro e seis meses as suas despesas totais.

Mas atenção! Dinheiro parado não rende. E a poupança não é o melhor lugar para a sua reserva de emergência, ok? Então, para que esse valor possa crescer e você não tenha imprevistos, escolha investimentos que permitam o resgate antecipado. Nesse sentido, existem algumas opções no investimento em Renda Fixa.

Por exemplo, o Tesouro Direto Selic. Além de ter liquidez diária, ele sempre vai render mais que a velha poupança. Mas considere também títulos privados como Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) e fundos de investimento com liquidez diária.

Fique de olho no ganho real

Independente do patamar de juros, uma informação que sempre deve ser levada em conta pelo investidor é o ganho real dos investimentos. Ele é próximo da diferença entre a inflação e a taxa de juros do período.

Por incrível que possa parecer, num cenário de juros baixos, existe a possibilidade de um ganho real maior. Isso acontece por uma razão muito simples: A inflação baixa, e aparentemente sob controle.

Assim, quem procura alternativas mais rentáveis terá de buscar investimentos com mais risco envolvido. A classe de fundos multimercado é uma opção para quem tem apetite. Além disso, como qualquer fundo de investimento, conta com a figura do gestor. Ele é um profissional qualificado e gabaritado para buscar oportunidades no mercado.

Para quem não tem tanto apetite a risco, outra alternativa são os fundos de renda fixa. Essa categoria investe os recursos apenas em títulos de Renda Fixa. Por utilizar títulos pré e pós-fixados, busca superar a taxa básica de juros no médio e longo prazo. Logicamente, possui um potencial de retorno mais modesto do que um fundo multimercado.

Títulos públicos ou de Renda Fixa privada, como CDB, LCI e LCA, além de Letra de Câmbio (LC), também podem conseguir ganhos diferenciados.

Para aplicações de reserva de emergência, ou que possa ser sacada a qualquer momento, continua valendo o mesmo de antes: Tesouro Selic e CDB ou LC com liquidez diária.

Imposto de Renda

Vale lembrar que na hora de calcular o rendimento real é importante considerar o Imposto de Renda. Com exceção de LCI, LCA, CRI e CRA e debêntures incentivadas, as aplicações são tributadas pelo IR regressivo, que vai de 22,5% até 15%, a depender do prazo. Então, quanto maior o tempo de resgate, menor o IR cobrado.

  • 22,5% (até 180 dias)
  • 20% (de 181 a 360 dias)
  • 17,5% (de 361 a 720 dias)
  • 15% (acima de 720 dias)

Como ficam os investimentos de Renda Fixa com a alta da Selic?

As constantes quedas dos juros abriram espaço para novas possibilidades de diversificação da carteira de investimentos. Afinal, para buscar retornos maiores, é preciso ir em busca de ativos um pouco mais arriscados, como a renda variável.

A partir de agora, com a alta da Selic, investimentos de Renda Fixa atrelados à Selic e ao CDI terão uma rentabilidade maior. Assim, os investimentos pós-fixados tendem a ser os principais beneficiados pela alta de juros. 

Na prática, quando a Selic sobe, os investimentos de Renda Fixa indexados à Selic e ao CDI passam a oferecer uma remuneração maior. Em outras palavras, eles ganham um aumento no rendimento. Os investimentos com remuneração pós-fixada tendem a ser os mais beneficiados pela alta dos juros. 

Nesta modalidade, a taxa de rentabilidade é atrelada a um indexador da economia, como a Selic ou o CDI. Isso resulta em oscilações até a data de vencimento do título. É exatamente por isso que esses investimentos se chamam pós-fixados. Porque no ato da contratação, você será informado sobre a previsão de lucros, e não sobre o valor exato que o investimento vai render.

Aqui entram:

Afinal, ainda vale a pena investir em Renda Fixa?

Seja como for, a Renda Fixa continua tendo um papel fundamental na vida de qualquer investidor. E seja ele iniciante ou experiente. Afinal, conservadores poderão optar por deixar a maior parte do seu portfólio em Renda Fixa.

Investidores arrojados terão mais Renda Variável em suas carteiras. Mas ainda assim poderão usar a Renda Fixa como forma de equilibrar o risco. Aqui na Easynvest, você encontra várias opções de investimentos de Renda Fixa e pode inclusive simular os rendimentos para saber quanto que vai ganhar, além de comparar com a poupança. Em seguida, já aproveita pra abrir sua conta gratuita.

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