Texto por Invista como uma garota

 

Mulheres só ganharam o direito de ter CPF no Brasil a partir de 1962. Isso foi há 57 anos atrás. As nossas mães e possivelmente a sua também, leitora, são a primeira geração de mulheres brasileiras com o direito de ter um conta bancária em seus nomes. Direito esse que, na década de sessenta, passou a estar no papel mas ainda não fazia parte de uma mudança cultural de fato – ou seja, levamos mais alguns anos (até décadas) para realmente termos algum controle sobre nosso dinheiro.

Além disso, não basta ter uma conta bancária se você não ganha seu próprio dinheiro, não é mesmo? Ter o direito por si só não muda nada: falar de autonomia é ter uma conta no seu nome e trabalhar para colocar seu próprio dinheiro lá. Portanto, sabemos que os desafios para essa autonomia são diversos e são culturais – levam gerações para serem superados. Pensem em outras situações de aproximação de direitos: ainda temos muito racismo presente na nossa sociedade, mesmo com a abolição da escravidão tendo acontecido mais de 130 anos atrás. Em outras palavras, estes ainda são desafios nos dias de hoje.

Isso importa porque as gerações das nossas mães não foram incentivadas a ganhar dinheiro e nem ensinadas a cuidar do próprio dinheiro. Portanto, as mulheres jovens de hoje estão tendo que quebrar barreiras, estão desbravando um território que não é familiar, estão aprendendo agora o que homens aprendem de geração em geração há séculos. Essa nova geração de Youtubers de finanças, de autoras e de palestrantes faz parte de um fenômeno social que está ajudando as novas gerações de mulheres a se apropriarem deste assunto tão essencial para a nossa independência: a autonomia financeira. A cada nova geração de mulheres é provável que esse assunto seja um pouco mais familiar, mas, com certeza, falar sobre o próprio dinheiro não é algo corriqueiro para a maior parte das mulheres em idade ativa hoje no Brasil. E por quê?

Porque as expectativas ensinadas para meninas desde pequenas, na maioria dos casos (sabemos que existem exceções!), são diferentes das ensinadas aos meninos (e, aos poucos, estão mudando!). A imagem da boa moça não combina com ambição, com querer dinheiro, com negociar, com pedir mais, com perguntar o salário do(a) parceiro(a), com defender o seu valor no mercado de trabalho, com querer se garantir e se proteger sozinha. E a imagem da boa moça é muito perigosa, pois ela tem a capacidade de destruir nossa autonomia, nossa liberdade. E por isso falar de dinheiro com mulheres é diferente de falar de dinheiro com homens.

Mais do que isso, hoje falamos muito de empoderamento, certo? De poder ser e fazer o que quisermos. Muitas vezes tratamos desses pontos na escolha de uma profissão, na roupa que vestimos, no formato dos nossos corpos, com quantas pessoas e com quem queremos sair, no ir e vir, na quantidade de maquiagem, enfim, em muitas esferas. No entanto, muitas vezes deixamos de lado um ponto muito importante: o quanto ser independente financeiramente é um passo anterior a qualquer tipo de liberdade e empoderamento. Fazer o que a gente quer passa, inevitavelmente, por dinheiro.

Se não entendemos como o dinheiro está presente na maior parte das nossas decisões do dia a dia, se simplesmente delegamos essas escolhas para outra pessoa, não quebramos ciclos viciosos ou relacionamentos abusivos, não temos total autonomia. Assim podemos até mesmo ficar numa situação abusiva porque dependemos de outra pessoa para termos dinheiro para comer, ter um teto onde morar, comprar coisas, etc. E podemos ir além: mesmo que o dinheiro seja ganho por nós mesmas, se deixarmos que outra pessoa cuide dele, nossas ações serão sempre vigiadas, seja em uma relação entre pai/filha, marido/mulher, irmão/irmã, namoradx, etc.

Como se já não fossem motivos suficientes, isso tudo importa porque a maioria dos casos de abuso sexual dentro dos lares no nosso país são acompanhados de abuso financeiro, de dependência financeira por parte da mulher.

Precisamos ganhar nosso dinheiro, precisamos aprender a cuidar do nosso dinheiro, precisamos ter autonomia financeira para podermos ser, de fato, livres. E estamos aqui para contribuir com esse movimento, porque acreditamos no poder das histórias de todas nós e no poder de uma comunidade de mulheres falando sobre esses temas. Queremos construir ambientes e momentos que possibilitem essas trocas e conversas. É por isso que hoje o foco do Invista como uma garota é nas mulheres. É um projeto que aproxima mulheres no começo da carreira de temas como dinheiro, investimentos e questões da mulher no mercado de trabalho de uma forma tranquila, descontraída e sem tabu. Falamos com essas garotas mais jovens porque sabemos do poder que criar o hábito de falar de dinheiro tem. Investir e não ter medo de perguntar sobre o assunto desde cedo é muito poderoso e assim começamos a deixar natural o que hoje é uma barreira. Somos apaixonadas por educação financeira e economia comportamental, e encontramos assim uma forma para contribuirmos ativamente com a causa feminista: a liberdade da mulher passa pela autonomia financeira.

E, por fim, fazemos questão de explicar por que escolhemos a Easynvest nessa relação mútua de apoio e crescimento. Obviamente estamos extremamente felizes com esse match e nos sentimos muito gratas por essa parceria, mas – honestamente – não estávamos “buscando” uma parceria com alguma corretora ou empresa grande. Estávamos fazendo o que acreditamos, plantando sementes, fazendo trabalho de formiguinha, de roda em roda, de texto em texto, post em post. O que despertou nosso interesse genuíno neles foi a percepção de que essa iniciativa, o projeto Nós, Mulheres Investidoras, também foi algo que surgiu de forma orgânica e autêntica de dentro da própria empresa. Foi uma bandeira que elas decidiram levantar (e assumiram os riscos que inevitavelmente estavam atrelados a isso!), uma causa defendida genuinamente pela equipe. Isso fez nossos olhos brilharem. Achamos que melhor casamento, impossível! Então decidimos unir esforços e remar agora com mais força na direção da sociedade com a qual sonhamos!

Nosso sonho é que você, leitora, possa realizar os seus sonhos organizando e investindo seu dinheiro de forma inteligente e descomplicada. E, acredite, isso é muito mais fácil do que pode parecer. Vamos juntas!

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Conheça o projeto parceiro do Nós, Mulheres Investidoras:

Vic Giroto e Aninha Baraldi começaram o Invista como uma garota em julho de 2018, um projeto que aproxima mulheres no começo da carreira de diálogos informais e sem tabu sobre dinheiro, investimentos, orçamento pessoal e questões da mulher no mercado de trabalho. Apaixonadas por educação financeira e economia comportamental, encontraram assim uma forma contribuir ativamente com a causa feminista: a liberdade da mulher passa pela autonomia financeira.