Texto por Sergio Goldman

 

O Ibovespa acumula alta de 12,5% até o dia 13 de março, um desempenho expressivo se considerarmos que a economia do Brasil opera em um ambiente de taxa de juros baixa.

O principal vetor do desempenho positivo do mercado de ações é, sem dúvidas, as altas expectativas quanto a implementação de uma agenda de reformas que levaria a uma aceleração do crescimento econômico brasileiro.

Muitos investidores podem se perguntar se ainda faz sentido se posicionar na Bolsa de Valores.

Minha resposta é SIM.

Entretanto, antes de ir em frente, os investidores devem considerar os seguintes pontos:

1- O perfil de risco do investidor deverá ser o principal fator determinante para definir o percentual de recursos a ser investido em renda variável

Até mesmo investidores com perfil considerado conservador podem ter uma parte de sua poupança alocada a ações de empresas com gestão de qualidade, política adequada de governança corporativa, boas perspectivas de crescimento e histórico de resultados positivos e consistentes.

2- Investimento em ações deve ser um projeto de longo prazo

Isso não significa que o investidor não possa modificar sua carteira em curtos períodos de tempo. Cenários mudam e essas mudanças fazem com que a venda ou a compra de novas ações sejam necessárias. Mas considero extremamente arriscado investir em ações com a expectativa de elevados ganhos em períodos curtos de tempo.

3- O desempenho de ações é determinado pelos resultados futuros das respectivas empresas

Os gestores de fundos de investimentos costumam incluir a seguinte frase em seus comunicados: “desempenho passado não é garantia de retornos futuros”. Exatamente a mesma coisa pode ser dita para o investimento em ações. O bom desempenho de uma empresa nos últimos anos não quer dizer que seu desempenho futuro também será positivo. Em tempos de inovações disruptivas, isso é ainda mais verdadeiro.

4- Diversifique sua carteira de ações

Sugiro a construção de uma carteira de investimentos com pelo menos 5 ações de diferentes setores.

5- O preço da ação é uma variável chave na decisão do investimento

De maneira simplificada, podemos dizer que o preço-justo (valor que o preço da ação pode chegar) é determinado pelo valor atual das expectativas de resultados futuros. Se o preço de mercado de uma ação estiver muito próximo desse preço-justo, o investimento não vale a pena. Assim, existem situações onde o investimento em empresas de qualidade inquestionável não é recomendado.

6- Investir em fundos de ações é uma boa opção para aqueles que não estão seguros o bastante para montar sua própria carteira

Nesse caso, a qualidade do time de gestores do fundo, a consistência da equipe e a política de gestão de risco são fatores fundamentais para a escolha do fundo a ser investido.

 

Sergio Goldman

Com quase 20 anos de experiência no mercado de ações, Sergio é especialista em análise de investimentos e precificação. Também é colunista do Valor Econômico desde 2013 e mentor do Inovativa, programa de aceleração de startups, desde 2014.