*Por José Falcão Castro

No mês de março, enfrentamos uma das maiores crises da história em que o mercado financeiro foi fortemente impactado.

Como de costume, organizei minhas carteiras de investimentos no decorrer do mês de fevereiro em um cenário completamente diferente, porém, fomos surpreendidos com a velocidade e proporção do avanço da epidemia do Coronavírus pelo mundo e o risco evidente para a saúde e economia global fez os mercados despencarem dia após dia.

Desde o dia 24 de janeiro, quando o Índice Bovespa atingiu a sua cotação máxima de 119.593 pontos, a longa tendência de alta foi interrompida pela dramática quarta-feira de cinzas (26 de fevereiro de 2020) ao cair 7%.

Desde então, o índice caiu 48% até os 61.690 pontos em 19 de março.

Como era de se esperar, os investimentos de Renda Variável, como por exemplo, Ações, Fundos de Ações e Fundos Imobiliários tiveram quedas generalizadas.

Algumas das gestoras mais conceituadas do mercado viram o patrimônio líquido dos seus fundos caírem mais de 30%, em alguns casos até 60%. Empresas sólidas e líderes de seus setores, tiveram o seu valor de mercado reduzido pela metade.

Não apenas a bolsa foi prejudicada, o mercado de juros sofreu forte oscilação com intenso fluxo de venda de títulos de Renda Fixa, fazendo seus preços caírem e suas taxas subirem.

Portanto, alguns Fundos Multimercado que, na sua maior parte operam estes mercados, não conseguiram uma boa performance e ficaram com o resultado abaixo do CDI e até mesmo negativo, em alguns casos.

Além dos títulos pós-fixados (Tesouro Selic, por exemplo) que não sofrem oscilação de mercado e, por isso, entregaram os retornos esperados, posições de proteção, como dólar, valorizou mais de 15% no mês de março, minimizando os prejuízos das outras classes de ativos para quem teve o cuidado e diversificou a carteira com este tipo de ativo.

Mas como devemos nos preparar para abril?

Não há uma resposta definida, mas há uma clara definição do momento atual!

Com base nisso devemos preparar os nossos investimentos para este cenário:

No Brasil, não há nada definido, o país está parado e sem sinais de retomada das atividades, já que o pico relacionado ao contágio do Coronavírus está previsto para os próximos dez dias. Soma-se a isso o pesado clima político entre membros do Executivo e dos demais poderes que possuem visões opostas em relação a condução desta crise.

Sem falar nas reformas estruturais que eram tão importantes para serem aprovadas ainda no primeiro semestre, mas serão deixadas em segundo plano, pois a prioridade número um, no curto prazo, é a saúde.

A nossa situação fiscal, que já era ruim, vai piorar em 2020 e o déficit deve ultrapassar os R$ 200 bilhões no ano.

Tudo isso vai comprometer o crescimento da economia brasileira em 2020 e algumas instituições já projetam uma queda do PIB acima de 3% no ano.

No cenário global, a maior economia do mundo (EUA) sofre os impactos da velocidade de disseminação do vírus. Até o dia 31 de março, o país tinha 164 mil casos confirmados, mais que Itália (101,7 mil), Espanha (87,9 mil) e China (82,2 mil) e o Estado de Nova York se tornou o epicentro do Coronavírus no mundo, ultrapassando a província chinesa de Hubei.

A China já está retomando suas atividades normais, porém o problema está longe de ser resolvido ao redor do mundo.

Qual é a conclusão que chegamos com isso? 

Proteção!!

Quando falo em proteção, não me refiro apenas a moedas e metais, como dólar e ouro.

A proteção pode ser feita com o aumento de caixa em títulos de alta liquidez e que não sofrem oscilação de mercado, de emissores com menor risco de crédito, como por exemplo o Tesouro Selic.

Estes recursos servirão para aguardar o melhor momento de retomar uma maior exposição a ativos de risco, como Ações e Fundos Imobiliários.

Minha sugestão não é vender tudo em Renda Variável e fazer caixa, sugiro que neste momento, se você tem recursos sobrando, aguarde um pouco e respire.

Teremos bastante tempo para comprar Ações baratas, Fundos Imobiliários com cotas mais atrativas e isso deve ser feito aos poucos, à medida que o cenário atual vai se organizando.

Tenha paciência e não esqueça da palavra-chave:

DIVERSIFICAÇÃO!!

Abraços, José Falcão Castro.

 

*José Falcão Castro tem 13 anos de atuação no mercado financeiro e de capital, atuando com análise, consultoria de investimentos e em mesa de operações Bovespa e BM&F. Formado em Administração de empresas com especialização em Gestão Financeira, possui as certificações CFP e CNPI-T. Atualmente, é especialista de Renda Variável da Easynvest.