Por José Falcão Castro *

 

Olá, investidor! Estamos no início de junho e, como de costume, hoje vou comentar como foi o desempenho do mercado financeiro no mês passado, que registrou alta na bolsa, e compartilhar a nossa visão para as próximas semanas.

 

O que aconteceu em maio e por que a bolsa está subindo em meio a crise? 

O mês de maio de 2020 fechou com mais uma excelente recuperação para o mercado financeiro no Brasil e nos principais mercados pelo mundo. Particularmente no Brasil, o mercado financeiro superou o ambiente conturbado na política e até mesmo o já esperado PIB (Produto Interno Bruto) negativo no primeiro trimestre do ano, com expectativa de quedas ainda maiores no segundo trimestre, que colocará o país em uma recessão técnica.

Mas existem dois fatores que deixam os mercados mais resistentes mesmo com os problemas atuais longe de serem resolvidos.

Vamos descobrir quais são eles:

 

1) A reabertura das atividades econômicas ao redor do mundo 

Essa retomada das atividades econômicas traz um sentimento e esperança de normalidade daqui para frente e sensação de que o pior está passando. Ou seja, os problemas recentes que envolvem conflitos sociais, questões geopolíticas entre as duas maiores economias do mundo (EUA x China) e os indicadores econômicos assustadores não estão intimidando os investidores, que parecem fortalecidos após o susto de uma das maiores crises da história. Mas atenção: a crise ainda acabou.

 

2) Juros baixos, não tem para onde correr. Bolsa é a alternativa!

Mesmo com as saídas recordes de capital estrangeiro da bolsa brasileira em 2019 e 2020, o investidor doméstico não tem outra alternativa em busca de melhores retornos para suas carteiras. Por isso, ativos de risco, como o mercado de ações, se torna uma alternativa quase que essencial no médio e longo prazo para obter lucros.    

 

E como foi o desempenho dos principais investimentos em maio? 

Renda Variável: na última semana do mês passado, a bolsa brasileira finalizou em grande estilo, com alta de 6,36%, acima dos 87 mil pontos. Em maio, o índice Bovespa fechou positivo pelo segundo mês consecutivo, e acumulou ganho de 8,57%, após subir 10,25% em abril, mas no ano ainda perde 24,42%.

Renda Fixa: com os mercados mais calmos e racionais, a curva de juros curta voltou para níveis abaixo do pré-crise. Por exemplo, usando como referência o contrato do DI futuro com vencimento em janeiro de 2023, que em 02 de março era negociado a uma taxa de 4,97%, chegou a explodir para 7,26% em 12 de março, e agora fechou o mês de maio a 4,22%.

Ou seja, as taxa voltaram a cair com o ambiente de negócios mais racionais e se ajustando a política monetária expansionista do Banco Central, que tem cortado a taxa Selic para níveis inimagináveis no Brasil. As taxas caem e os preços sobem, esse movimento fez a classe de renda fixa brilhar no mês de maio.

Multimercados: o momento é muito favorável aos Fundos Multimercados, pois o gestor poderá alocar os recursos do fundo em diversas classes de ativos, desde renda fixa até investimentos de maior risco como ações e moedas, tomando as melhores decisões de acordo com as melhores oportunidades. Com os mercados mais calmos e oportunidades evidentes, os multimercados performaram muito bem no mês passado.

Moedas: pela primeira vez em 2020, o dólar fechou um mês negativo, em maio, cotado a R$ 5,34 (-1,90%), com investidores mais otimistas na busca por ativos de risco e redução de segurança, como moedas fortes e o ouro.

 

Bolsa, Renda Fixa ou Fundos? Onde devo investir? 

Para o mês de maio, os investidores mais arrojados podem manter uma alocação de 15% a 20% do portfólio em Renda Variável (ações e fundos imobiliários), destes, 5% em dólar para proteção da carteira, pois apesar da recente correção da moeda norte-americana, os problemas atuais estão longe de serem resolvidos.  

Complementando a carteira, a alocação em fundos multimercados é um ingrediente interessante, que apesar de envolver riscos, possui menor volatilidade do que os fundos de ações e possibilitam retornos bem acima dos produtos de renda fixa convencionais. Sugiro uma alocação em torno de 25% do portfólio para o perfil arrojado.   

Para finalizar, com os mercados se movimentando de forma mais positiva, para junho sugiro reduzir um pouco a parte de liquidez em ativos pós-fixados (ex: Tesouro Selic) e aumentar a exposição em fundos de crédito privado e inflação, sem excessos, que devido as quedas recentes estão com uma taxa média de carrego dos seus títulos muito atrativas e, como observado em maio, estes ativos apresentaram performances bem acima do benchmark.

 

José Falcão Castro tem 13 anos de atuação no mercado financeiro e de capital, atuando com análise, consultoria de investimentos e em mesa de operações Bovespa e BM&F. Formado em Administração de empresas com especialização em Gestão Financeira, possui as certificações CFP e CNPI-T. Atualmente, é especialista de Renda Variável da Easynvest.