Texto por Sergio Goldman

 

Acredito que desde 2008, algumas semanas antes do Brasil conseguir o almejado grau de investimentos, o mercado de Ações não teve perspectivas tão positivas.

A taxa básica de juros deve permanecer próxima ao patamar atual por pelo menos 12 meses e existe uma alta probabilidade de vermos algumas reformas estruturais importantes aprovadas ao longo de 2019.

Dado que o cenário é positivo para Ações, a pergunta seguinte é, como um investidor pessoa física deve se posicionar?

Claro que o investidor pode preferir investir em um fundo de Ações e existem várias opções de gestores bastante competentes.

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Por outro lado, nossa experiência mostra que existe também aqueles investidores que querem ter uma postura ativa, e participar diretamente da gestão de suas carteiras de Ações. Para estes, temos algumas sugestões. Vale ressaltar que algumas dessas sugestões se aplicam também para aquele investidor que preferiu se posicionar via fundos.

Pense sempre nos seguintes conceitos ao montar sua carteira de Ações:

Investimento em Ações é um projeto de longo prazo.

Respeito aqueles que sugerem estratégias que visam obter ganhos de curtíssimo prazo no mercado de Ações. Mas minha experiência (que não é pequena) mostra que os maiores ganhos ocorrem quando o investidor mira o longo prazo;

Isso não quer dizer que o desempenho da carteira não deverá ser monitorado e que mudanças possam ocorrer.

Dependendo do perfil do investidor, o monitoramento pode ocorrer diariamente ou semanalmente. Além disso, caso mudanças significativas nas expectativas iniciais realmente ocorram, a carteira deve ser ajustada;

Pense inicialmente no cenário econômico nos próximos 3 a 5 anos e a partir daí, escolha setores e temas de investimentos que devem se beneficiar do cenário mais provável considerado.

Neste momento, para os próximos 3 anos pelo menos, esperamos uma aceleração da atividade econômica, aprovação de reformas, privatização e inflação sob controle.

Quais setores que devem se beneficiar deste cenário?

Bancos, construção civil, infraestrutura e consumo doméstico. Em relação a temas de investimentos, gosto de olhar para o setor de saúde pois acredito que deve continuar a acontecer a migração de serviços de saúde do setor público para o privado;

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Diversifique.

Dependendo do volume de recursos a ser investido, a carteira deve conter algo entre 5 e 10 Ações de setores e temas diferentes. Mesmo que você acredite fortemente em apenas um ou dois setores/temas de investimentos, ou conheça bastante desses setores, busque incluir na carteira ações de setores diferentes;

O passado não pode ser desconsiderado; mas o que determinará o desempenho das ações no mercado será as expectativas dos investidores com relação ao desempenho futuro das empresas.

Claro que empresas com histórico de desempenho positivo e consistente são candidatas a fazer parte da carteira de Ações. Mas isso não é suficiente, principalmente considerando as mudanças rápidas e radicais que estão acontecendo no ambiente de negócios;

Seja resiliente.

A jornada no mercado de Ações é carregada de emoções e muitas vezes o investidor se sente impelido a vender posições em momentos inadequados. De novo, se você acredita na empresa investida, pense no longo prazo e tente separar ruído momentâneo de mudanças concretas de cenário. Na dúvida, procure conversar com alguém que efetivamente entenda de como funciona o mercado de Ações.

 

 

Sergio Goldman

Com quase 20 anos de experiência no mercado de ações, Sergio é especialista em análise de investimentos e precificação. Também é colunista do Valor Econômico desde 2013 e mentor do Inovativa, programa de aceleração de startups, desde 2014.