* por Rachel Spencer, do Viajo Logo Existo

Em fevereiro de 2013 fiz uma mudança de vida que me fez repensar toda a maneira como lido com a minha vida financeira. Pedir demissão do banco, onde tinha começado a trabalhar ainda como estagiária, foi o fim de uma fase com bom salário, plano de saúde e bônus com estabilidade. Os anos de tesouraria foram intensos, e apesar de adorar o trabalho, era hora de empreender novos projetos.

Nosso plano era dar a volta ao mundo de carro, e apesar de ser casada e meu marido ser meu sócio nessa empreitada, nós sempre guardamos nosso dinheiro separado. Ter uma independência financeira sempre foi um pré-requisito, assim, nenhum dos dois ficaria refém de uma relação que não fosse saudável.

Desde 2013, o desafio não é só empreender, mas a ginástica que fazemos para sempre manter as contas em dia, buscar melhores práticas, usar a tecnologia a nosso favor e no fim, gastar melhor. Para quem é empreendedor e autônomo, as coisas são ainda mais complicadas. A falta de estabilidade nas receitas, nos faz sermos mais cuidadosos com as despesas. Assim, estamos sempre em busca de receita passiva e olhando de perto, a qualidade dos gastos, tentando renegociar contratos como telefonia, internet e aluguel, ir atrás de produtos melhores e sem custo, exemplo de bancos digitais e corretoras que não cobram custo de manutenção de conta. Essas são algumas das decisões financeiras que tomamos lá trás, que com certeza estão nos ajudando a enfrentar esse momento de crise.

Raquel em uma estrada. Ao fundo, uma pirâmide

Um exemplo que vivemos agora foi com entrega de comida. Eu nunca tinha utilizado um dos apps de delivery disponíveis, por uma questão de achar a taxa entrega cara. Atualmente estamos em Portugal e muitos restaurantes de bairro tem o prato do dia por 5 euros. Mas, se a taxa de entrega custar três euros, por mais que pareça pouco, estamos falando de 60% do valor do prato. Assim que esse mesmo app disponibilizou a entrega gratuita, aproveitei para tirar uma folga da cozinha. Além de ajudar os restaurantes do bairro a sobreviverem, ainda posso dar uma gorjeta para o entregador, e fica bom pra todo mundo.

Outro hábito que ficou explícito foi de fazer mais compras online. Descobrimos que uma grande loja de departamentos oferece entrega em até 2 horas por 2,90 euros. Se pedisse pelo correio demoraria pelo menos 15 dias e a entrega custaria 7 euros. Quando estamos no Brasil, também  estamos sempre de olho em como resolver tudo de forma online. Se somarmos tempo no trânsito, gasto com estacionamento, e a chance de sermos seduzidos a comprar algo que nem precisamos, aí comprar online fica imbatível. Online você pode filtrar itens promocionais, usufruir de descontos e muitas vezes entregas gratuitas.

Possivelmente, você comprará o mesmo produto, sem gastar com estacionamento, sem chance de comprar algo que não precisava, com foco em itens em promoção e o melhor: tomando um vinho no conforto do seu sofá… O que poderia ser melhor?

Não escolhemos essa quarentena, e preferíamos que tantas vidas não fossem perdidas e que tantos empregos não desaparecessem, mas, se temos algo positivo para tirar de tudo isso são hábitos melhores, para que se houver outra quarentena, tenhamos pelo menos, saúde financeira para enfrenta-la sem maiores percalços.

Raquel em cima do carro, usando seu computador
O Viajo logo Existo nasceu de um sonho diferente: dar a volta ao mundo de carro. Em 2012 o casal Leonardo e Rachel Spencer descobriram em um livro que era possível viver em um carro viajando pelo mundo, mas largar quase dez anos de carreira no mercado financeiro era a parte mais complicada da história. Afundados em livros, planilhas e muito planejamento, o casal resolveu pôr em prática seu plano no começo de 2013. Eles pediram demissão do banco em que trabalhavam, se casaram e saíram de São Paulo para o mundo. O objetivo era simples, viver 3.5 anos viajando pelo mundo, visitar pelo menos 70 países e dirigir 130 mil quilômetros.