Texto por Sergio Goldman

 

Podemos definir o conceito de liquidez como sendo a facilidade de se negociar determinado ativo, no nosso caso, determinada ação.

Quando falamos em facilidade de negociação, estamos implicitamente pensando em dois fatores.

O primeiro fator é rapidez; se decidirmos comprar ou vender uma ação, se ela for líquida, faremos isso rapidamente.

O segundo fator é o impacto no preço da ação quando decidimos compra-la ou vende-la.

Juntando esses dois fatores, chegaríamos a conclusão que uma ação líquida é aquela onde conseguimos rapidamente negociá-la sem que essa decisão mexa significativamente em seu preço de mercado.

A importância do fator liquidez varia de investidor para o investidor, dependendo de seu perfil.

Para um investidor de curto prazo, que gira bastante suas posições, liquidez é um fator extremamente importante.

Esse tipo de investidor precisa que suas operações sejam executadas instantaneamente e isso só irá ocorrer se os ativos em questão forem bastante líquidos.

Para aqueles com perfil de investidor de médio e longo prazo, a liquidez é uma questão a se considerar, mas certamente menos relevante.

Por que?

Nesta situação, o investidor de longo prazo estaria disposto a esperar um melhor momento de mercado para aumentar ou se desfazer de alguma posição, evitando situações nas quais a menor liquidez esteja pressionando o preço da ação em direção contrária ao desejado.

No mercado brasileiro, para um investidor pessoa física, qual o nível de liquidez considerado razoável?

Em janeiro de 2019, o volume médio diário negociado na B3, por todas as ações listadas na bolsa brasileira, superou a marca de R$16 Bilhões.

Com esse nível de volume de negociação do mercado como um todo, me parece que uma ação que negocie diariamente em média por volta de R$5 milhões deve ser considerada uma ação com liquidez razoável para a grande maioria dos investidores pessoas físicas.

Uma outra questão que merece ser discutida é se ações com menor liquidez negociam normalmente a desconto em relação a ações de empresas semelhantes, mas que tenham maior liquidez.

A evidência empírica parece demonstrar que sim; o investidor aplica um desconto de liquidez sobre ações com menor volume de negociação (desde que essa diferença de volume seja relevante).

Neste caso, pode fazer sentido para o investidor de longo prazo se beneficiar do desconto de liquidez para adquirir ações que ao longo do tempo deverão ter desempenho superior ao da empresa semelhante cujas ações tenham maior liquidez no mercado acionário.

 

Sergio Goldman

Com quase 20 anos de experiência no mercado de ações, Sergio é especialista em análise de investimentos e precificação. Também é colunista do Valor Econômico desde 2013 e mentor do Inovativa, programa de aceleração de startups, desde 2014.