Como parte das comemorações pela Semana da Mobilidade, comemorada em 2018 entre 16 e 21 de setembro, preparamos uma entrevista com nosso Diretor de Estratégia, Paulo Avian, sobre como algumas recentes mudanças no mercado de trabalho podem (e devem) fazer uma grande diferença no dia a dia e na mobilidade de todos. Confira!

 

O que você pensa da proposta da Youse de ser mais flexível com o horário?

Aqui na Easynvest, a gente reconhece que cada um tem seu melhor horário produtivo, cada um tem a vida um pouco diferente, que as vezes casa mais com um horário diferente entre as equipes de trabalho. Mas a gente também acredita, e foi algo que eu aprendi com a Youse, que o trabalho em grupo, o trabalho de colaboração, é muito importante. Então é importante também que as pessoas tenham um momento de convívio profissional durante o dia. Isso é muito importante e acreditamos que isso pode trazer mais resultados e mais sinergia para a equipe da Easynvest.

 

Como você vê a mobilidade na cidade de SP?

Acho que isso é um problema enorme, porque temos uma cidade muito grande e as pessoas tem que estar em seus trabalhos em horários que o transporte é muito complicado. Eu acho muito legal as diversas iniciativas, tanto governamentais quanto privadas, que tentam resolver essa questão de mobilidade na cidade de São Paulo. Não vejo muita diferença de outras metrópoles, mas acho que talvez nosso contexto precisa de algumas ações especiais.

 

Você vê alguma evolução na condição da mobilidade da cidade?

Acho que São Paulo está melhorando, vejo diversas inciativas para promover essa melhoria, mas ainda estamos bem aquém do que deveríamos ser como metrópole da relevância econômica que São Paulo tem. Acho que estamos evoluindo a passos largos, mas ainda temos um longo caminho pela frente. Faltam melhorias na malha ferroviária, que ainda é um pouco deficiente quando comparada com outras metrópoles globais. Temos também engarrafamentos, que acontecem principalmente quando chove, e ainda são grandes problemas na nossa cidade.

 

Porque mesmo podendo ter um carro você prefere não usar esse meio?

A primeira questão sobre ter um carro próprio é uma questão de custo, o custo de aquisição e manutenção de um veículo, tanto pelo seguro quanto pelo preço da gasolina e desgaste natural do veículo. São gastos bem elevados e eu acho que hoje temos alternativas que facilitam bastante essa transição para um transporte mais alternativo, seja metrô, ônibus, bicicleta, ou até aplicativos de transporte. Além do custo, também é importante frisar o estresse e a relação que você tem com o tempo que você usa para se locomover. É também uma questão de qualidade de vida, de saúde mental e física, ainda mais se você tem uma mobilidade que permita ir para o trabalho andando ou até mesmo de bicicleta. Outro ponto bem importante sobre isso é que muitas vezes as pessoas têm um carro, mas é um carro que fica parado 80% do tempo, porque passamos muito tempo no trabalho, ou dormindo, e seu carro está parado. Então é um bem que custa muito caro e você acaba não utilizando a vida útil dele de forma intensa, ele é muito esporádico e custoso.

 

Como você vai para o trabalho todos os dias?

Eu me sinto bastante privilegiado de poder falar que tenho a possibilidade de vir a pé ou de bicicleta para o trabalho e ainda conseguir chegar em um tempo que se adequa a minha vida. Acho que para quem tem essa condição, para quem consegue usar esse meio de transporte com um tempo adequado, ajuda bastante a qualidade de vida, melhorando muito tanto a saúde mental quanto física.

 

Como você vê a quebra de paradigma da flexibilidade do dress code?

Eu acho que não só na Easynvest, mas no mundo todo, o que estamos vivenciando é uma aproximação das pessoas e um respeito pela diversidade e individualidade de todos. Eu tento, do meu jeito, expressar a minha individualidade aqui dentro e fazer as coisas que eu acredito, seja no meu meio de transporte ou na minha vestimenta. Espero que isso inspire as pessoas, ou pelo menos sirva como exemplo para nossos colaboradores que eles também podem fazer a mesma coisa, porque eles têm um representante executivo que se sente nessa liberdade. Eu acho que cada vez menos a gente vai se apegar corporativamente a esses atributos, como vestimenta ou corte de cabelo, que não geram valor para o nosso cliente, e vai se apegar cada vez mais a comportamentos e atitudes que realmente valorizam nosso profissional com a contribuição que ele oferece.

 

Quando você fala sobre locomoção urbana, vestimenta, etc, você pensa no seu filho, no futuro dele, no mundo em que ele vai viver?

Eu acho que hoje talvez o maior argumento que eu teria para ter um carro seria a família. Quando você precisa se deslocar por distâncias maiores, com uma certa velocidade e bastante gente, transportes alternativos como a bicicleta ou um transporte público podem ficar um pouco menos convenientes. Mas é claro que eu tento muito incentivar meu filho e minha família para andar o quanto eles puderem, para usar o espaço urbano que a gente tem e ocupar as ruas da cidade da melhor forma possível, já que São Paulo também tem tanta beleza a oferecer nos seus parques, avenidas e tudo mais. É uma coisa que como família nós acreditamos muito que devemos fazer.

 

Essa questão da locomoção urbana mais desprendida de um carro próprio, do não apego ao dress code, é algo que você gostaria de ver no seu filho daqui há digamos, 20 anos?

Sem dúvida. Acho que meu filho já está sendo criado em um mundo em que estereótipos são cada vez menos importantes, e é uma discussão que a gente tenta embutir de forma muito positiva no dia a dia da criação dele. Então eu espero que meu filho no futuro tenha um pouco desses valores que eu também acredito em relação a diversidade, mobilidade, uso do espaço público e etc.