_Texto por Karol Pinheiro

 

Me lembro perfeitamente de como foi viver aquela importante situação. As escolhas, apesar de não serem infinitas, eram tantas que me fizeram refletir sobre a quantidade de vezes em que precisamos ponderar bem uma decisão. Fiquei na dúvida, pensei durante alguns minutos, imaginei o que aconteceria nos dias seguintes àquele momento. Depois de respirar profundamente de olhos fechados, dei um passo adiante. Ergui o braço direito, estiquei os dedos da mão e elegi o iogurte natural, sem sabor, cor e açúcar para entrar no meu carrinho de supermercado!

Opa, péra, calma… Eu juro que não sou doida! Hahaha Eu, rainha dos péssimos hábitos alimentares, havia acabado de sair da casa dos meus pais para ir morar sozinha num apêzinho alugado de 36m2 e aquela seria a minha primeira compra de mercado independente! Sério, foi um dos momentos mais emocionantes da minha vida: eu podia escolher QUALQUER coisa para levar pra casa. QUALQUER coisa! E vamos combinar que se tratando da prateleira de iogurtes, podemos cair em muitas ciladas! Hahaha

Eu nem me dei conta na hora, mas aquela era minha estreia no ramo das decisões adultas – sem a ajuda de absolutamente ninguém – que mudam a vida. E pra viver esses momentos com sabedoria, é preciso planejar! Como, quando, onde e porque: as quatro perguntas que hoje, do alto dos meus 31 anos, fazem parte da maturidade de traçar um plano antes de importantes batalhas, como escolher onde é melhor investir seu dinheiro: seja comprando um iogurte ou um imóvel.

Há algum tempo ouvi de um conhecido que ninguém é 100% independente e torci o nariz. “Eu sou sim”, pensei imediatamente. Trabalho desde os 17 anos. Me formei sem absolutamente nenhuma nota vermelha no curso de jornalismo há mais de 10. Abri minha empresa que, modéstia parte, colhe bons frutos do meu trabalho. Moro num apartamento próprio que tem até perfil de instagram. Já viajei para todos os países da minha lista dos sonhos e tenho um cachorro lindo de 4 anos que é muito educado (ele deita e rola, sabe! Hahaha). Eu sou independente sim. Sou muito!

Mas aí, essa mesma pessoa, me lembrou de que sem o ar que eu respiro, a água que eu bebo, o sol que me aquece e tantos outros detalhes dos quais a produção não tem absolutamente NADA a ver comigo, eu simplesmente não continuaria existindo. Sim, caro amigo, foi então que eu cai na real. Ninguém é 100% independente e, quer saber? Como é mais fácil e gostoso viver depois de entender (de verdade) isso.

A gente não precisa abraçar o mundo inteiro sozinho. Ter liberdade é ser livre para escolher qual iogurte levar para casa, mas também saber valorizar o fato dele estar ali disponível para você!

 

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Karol Pinheiro, jornalista e produtora de conteúdo para web. Soma mais de 2 milhões de seguidores em suas redes sociais onde fala sobre beleza, moda, comportamento e viagem.