Por Lopes Filho & Associados

Numa agenda carregada, tentemos decifrar como Temer deve “conduzir” o seu governo até o final, depois de engavetada a reforma da Previdência. Sabendo disso, anunciou um pacote de medidas requentadas, mas será que passam? Nos bastidores, seguem os debates sobre sua viabilidade como candidato, assim como de Meirelles e Rodrigo Maia, um querendo derrubar o outro. Na agenda, além das sondagens de fevereiro da FGV, atenção para a PNAD Contínua de janeiro e o PIB do quarto trimestre. Nos EUA, o PIB de 2017 e o PCE de janeiro, indicador de inflação considerado pelo Fed.

Nas escaramuças do poder, parece-nos óbvio que o presidente Temer botou este “bode da segurança na sala”, em parte já sabendo da inviabilidade da reforma da Previdência. Como não conseguiram o número de votos necessários, trataram de desviar o foco. Já Meirelles tratou também de “lavar as mãos”, ao afirmar que a missão da política econômica já havia terminado. Em paralelo, Temer se movimentava como se quisesse algo a mais em outubro, até se lançando como candidato à presidente. Com rejeição de 70% e popularidade entre 7% a 8% como isso seria possível? Na verdade, olhando neste momento, Temer não reúne as mínimas condições para se lançar como candidato. A impressão é que ele traçou este “objetivo” para manter a governabilidade até o final do ano. Rodrigo Maia, em paralelo, segue se movimentando para se lançar pelo DEM, o que deve dificultar na aprovação do pacote das 15 medidas. Por outro lado, há de se considerar que março será um mês intenso em movimentações partidárias, às vésperas da desincompatibilização (até 6 de abril), que deve esvaziar a pauta no Congresso.

Na economia estejamos atentos ao PIB do quarto trimestre nesta quinta-feira, quando teremos com maior clareza como deve desempenhar o indicador neste ano e como fechou em 2017. Neste, acreditamos ter ocorrido um crescimento entre 1,1% e 1,3% e neste ano deve passar dos 3%. A contribuir para esta reação o Consumo das Famílias com maior força e os investimentos mais lentos, ainda no aguardo de uma definição eleitoral.

Sobre a Pesquisa Focus tivemos nova redução do IPCA para este ano, agora em 3,73%, contra 3,81% na semana anterior e ajuste para cima, na margem, do crescimento do PIB, agora previsto em 2,89% contra 2,80% na semana anterior. Sobre as contas do setor externo de janeiro, chamou atenção o crescente fluxo de capitais ao País, agora em US$ 6,5 bilhões, quando a expectativa era US$ 3,5 bilhões. O saldo em conta corrente fechou janeiro negativo em US$ 4,3 bilhões, 15% maior do que o registrado no mesmo mês de 2017. Contribuiu para esta alta o aumento no pagamento de juros, de aluguéis de equipamentos e das remessas de lucros e dividendos. Este último pode se justificar por um movimento defensivo das empresas diante das incertezas com a eleição de 2018. As captações externas de janeiro também superaram todas as expectativas, chegando a US$ 8,2 bilhões. Outro indicador em destaque nesta segunda-feira foi a arrecadação federal de janeiro, crescendo 10,1% contra igual mês de 2017, chegando a R$ 155,6 bilhões. Foi o terceiro mês seguido de alta. Com a economia voltando a crescer, deve manter neste ritmo.

Sobre a agenda, além do PIB na quinta-feira, atenção para as Sondagens do Comércio na terça e da Indústria e dos Serviços na quarta-feira, todos de fevereiro. Na terça-feira temos o IGP-M de fevereiro, devendo ficar em torno de 0,25%, e os dados sobre o mercado de crédito de janeiro. Lembremos também na quarta-feira os dados fiscais de janeiro, quando saberemos o estado das contas públicas, mas sem deixar de notar a reação da arrecadação, o que deve “segurar” qualquer deterioração. Nos EUA atenção para o PIB do quarto trimestre na quarta-feira e o PCE na quinta-feira. Ambos indicadores são essenciais para reunirmos mais elementos sobre a estratégia do Fed neste ano.