Por Lopes Filho & Associados

Iniciamos o ano agora? Muitos acham que este ano já veio intenso antes do Carnaval, com variadas especulações sobre o quadro eleitoral, depois da confirmação da condenação de Lula pelo TRF-4. Outros acham que o ano só começa de fato nesta semana. Em todo caso, na agenda o IBC-Br de 2017 confirmando crescimento de 1%, com algum “repasse” para 2018. Atenção também para o IPCA-15 de fevereiro, a 0,3%. No exterior, os próximos passos dos bancos centrais nos países desenvolvidos. Nos EUA, aguardemos a ata do Fomc, quando saberemos a intensidade do ciclo de juro.

Iniciamos nesta semana especulando se a reforma da Previdência teria espaço para ser votada, ainda mais depois da intervenção federal no Estado do RJ. Pela Constituição de 1988 nesta situação nada pode ser votado que a altere. Achamos também que a reforma perde muita força, mas o governo ainda vê espaço para sua votação até o dia 28/2. Pode reservar uns dias para isso, suspendendo então a intervenção. Sinceramente, não acreditamos nesta hipótese, até porque o governo parece não ter os votos necessários. Uma possibilidade, porém, será tentar mexer, via decreto lei, nas despesas dos benefícios do INSS, não sendo possível nas dos servidores públicos, por exigirem PEC. Uma alternativa é uma nova fórmula para o cálculo das aposentadorias, fixando o valor de 60% sobre a média dos salários de contribuição, além de um adicional a mais na ativa até chegar a 100%. Outra é reduzir a 50% o valor do benefício, incluindo 10% por dependente.

Nos indicadores do dia o IBC-Br acabou fechando o ano em crescimento de 1,0% com ajuste sazonal, em linha com as projeções do mercado para o PIB, e 1,3% pela forma dessazonalizada. Tal crescimento acabou saudado pelo impulso no quarto trimestre, crescendo em torno de 0,4% contra o terceiro, depois de 0,1% no terceiro contra o segundo. Sendo assim, não será surpresa se a economia tiver crescido entre 1,1% e 1,2% no ano passado e mais de 3% neste ano. Estes dados mostram que a economia ganhou tração no final do ano e deve seguir forte, crescendo em torno de 3%. O arrasto do ano passado (carry over) para 2018 deve chegar a 2,8%. O consumo das famílias é o principal fator a impulsionar a economia, com a melhora do crédito e da massa de renda. Já os investimentos retomam mais lentamente, dadas as incertezas eleitorais no horizonte. Na Focus tivemos a inflação mais baixa e o crescimento maior do PIB, com Selic e câmbio mantidos (ver adiante).

Nos EUA, as expectativas se voltam ao que será dito na ata do Fed. Achamos que a postura deverá ser de cautela, com a normalização se mantendo gradual, até porque os riscos de novas correções, como à do dia 5/2, ainda parecem na ordem do dia. Cabe salientar, no entanto, o CPI em 12 meses, superando a meta de 2%, ao registrar 2,1%.

Como já dito, sobre a agenda da semana, destacamos o IBC-Br de 2017, divulgado nesta segunda, mostrando boa tração e o IPCA-15 de fevereiro, mostrando desaceleração. Nos EUA, atenção para a ata do Fomc e na Zona do Euro, o crescimento do PIB da região.