A renda fixa nunca perde espaço e sempre é uma alternativa considerável independente das condições de mercado. Investimento tradicional, seguro e também um dos mais democráticos, sempre faz parte de qualquer carteira de investimentos, mesmo no cenário atual com a taxa de juros em 7,50% ao ano, o menor patamar desde 2013.

Apesar de ser um instrumento simples, o mercado de renda fixa apresenta diversas possibilidades, desde as formas de remuneração que podem ser com juros prefixados, pós fixados ou indexados pela inflação. E também pela vasta gama de produtos, como CDB, LCA, LCI, LC, Títulos Públicos, Debêntures. Diante disso, não é surpresa que o investidor fique confuso. Por isso, vamos trazer algumas dicas dadas pelos nossos gerentes Anderson Paiva e Fábio Macedo para filtrar as oportunidades e verificar se o investimento é interessante ou não para você.

Liquidez da aplicação

Enquanto no Tesouro Direto , o que gera liquidez diária ao investidor, outras opções de produtos, principalmente no mercado de renda fixa privada, têm pagamento apenas na data final (vencimento). Portanto, observar se o título possui condições de retirada a qualquer momento é vital para que o investidor faça a escolha mais acertada com seus objetivos.

Nosso gerente de planejamento, Anderson Paiva, explica melhor as diferenças na possibilidade de resgate entre os produtos disponíveis: “Enquanto no Tesouro Direto você pode resgatar seus títulos, ou parte deles, a qualquer momento, existem outras opções de Renda Fixa onde não é permitido resgatar antes de uma da data de vencimento. Portanto, é importante observar se o título que deseja investir possui ou não a possibilidade de resgate antes da data de vencimento”.

Já para Fabio Macedo, nosso gerente comercial, o investidor deve sempre conciliar o investimento com suas necessidades: “É muito importante ficar atento a liquidez, de acordo com as suas necessidades. As taxas em renda fixa privada são mais atrativas quando trata-se de um investimento de longo o prazo. As instituições financeiras acabam oferecendo retornos menores para os títulos com liquidez diária pois não sabem quando o investidor resgatará seu dinheiro. Por isso o ideal é se programar e tentar investir em prazos mais longos, para obter maiores ganhos”.

Atente-se ao prazo

Todo e qualquer título de renda fixa possui um prazo de vencimento. Então o primeiro questionamento a ser feito pelo investidor é: este prazo de investimento condiz com meu planejamento? É necessário ter muita atenção na renda fixa privada, como CDB, LC, LCA, LCI, pois muitos produtos possuem liquidez apenas no vencimento, por isso o planejamento é de fundamental importância.

Anderson explica um pouco mais: Se um título que vence em 5 anos e não possui liquidez, não poderá ser resgatado até cumprir os 5 anos. Se você acredita que potencialmente precisará do dinheiro antes disso, é bom verificar outras opções de prazo mais curto. Os títulos de renda fixa privada, como CDB, LC, LCA, LCI em geral possuem liquidez apenas no vencimento, e por isso possuem rentabilidades maiores, mas também existem algumas opções desses títulos com liquidez diária, caso você não tenha previsibilidade da necessidade do dinheiro”.

Remuneração pós-fixada, prefixada ou indexada à inflação

Eis o dilema para muitos investidores ao escolher um título de renda fixa. De modo geral um investimento prefixado tende a ganhar força com a queda da taxa de juros, enquanto um produto com remuneração pós-fixada tem maior potencial em cenário de alta dos juros. Já os títulos indexados pelo IPCA ou IGPM trazem maior certeza para o investidor com relação a preservação do poder de compra do dinheiro investido.

Para o Fabio Macedo não há melhor ou pior título e sim o que melhor se alia ao planejamento do investidor. “Costumo dizer que cada tipo de título tem sua história. O pós-fixado, por acompanhar a taxa básica de juros, normalmente é indicado para os investidores com perfil mais conservador. Com os prefixados sabe-se exatamente quanto resgatará no vencimento. E o indexado ao IPCA, acompanha a inflação, mantendo o poder de compra de seu dinheiro ao longo do tempo. Qual é melhor? Essa pergunta nunca tem uma resposta única. Cada investidor tem seu perfil e tem que verificar qual é mais aderente”, explica.

Marcação a mercado

Diariamente as condições de mercado sofrem alterações, e com isso, o preço dos títulos. Portanto a alta ou queda nos juros praticados podem fazer com que um título comprado anteriormente apresente retorno maior ou menor do que o previsto no momento da compra. Assim, estes movimentos podem beneficiar ou prejudicar um investidor numa saída antecipada de títulos públicos.

Anderson explica melhor: “No caso dos títulos públicos, a marcação a mercado nada mais é do que o valor do seu título no mercado. Em outras palavras, o valor que alguém pagaria caso queira se desfazer dele. Esse valor muda diariamente dependendo das condições de mercado e possuem impactos para diferentes tipos de investimentos. Imagina que você tenha investido em um título prefixado, onde o rendimento é de 10% ao ano, por exemplo. Se a taxa de juros cair ao longo do tempo, os novos títulos disponíveis no mercado como prefixados terão rentabilidades menores e isso faz com que o valor do seu título no mercado, caso queira vender, fique mais atraente, pois ele rende mais do que qualquer título disponível hoje. Da mesma forma o contrário pode ocorrer. Por isso, nesse tipo de escolha, o mais recomendado é que quando opte por investir em um título prefixado, tenha em mente leva-lo até o vencimento garantindo que receba exatamente a rentabilidade contratada. Esse mesmo efeito ocorre com os títulos indexados à inflação por possuírem uma parte da rentabilidade prefixada. Por outro lado, um título pós-fixado tem seu valor de mercado igual ao valor do título em si, ou seja, se decidir resgatar o investimento, receberá exatamente o valor do título no momento da venda. Por isso, inclusive, ele é o mais indicado para resgates ditos de emergência, onde você não corre o risco da mudança de taxa de juros do mercado”.

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